quinta-feira, 23 de julho de 2009

CASO 5- UM DESCUIDO MÉDICO.

Uma moça de 25 anos engravida de um relacionamento conturbado, eu a conheço nessa fase difícil.
Eu por muitas vezes discuti com o marido dela tentando protegê-la, comprei o enxoval, a acompanhei nas consultas, participei de cada dia da sua gestação.
Por certo desentendimento paramos de nos falar, um dia antes do parto, ela ganhou bebê acompanhei tudo de longe. Um maravilhoso presentinho nasceu um dia seguinte do natal.
Ela chegou de alta hospitalar, não fui visitá-la mais parecia estar tudo bem, foi feita uma cesariana, e com o passar dos dias a barriga dela inchava, o médico que fez o parto esqueceu-se de cauterizar uma veia, causando assim uma hemorragia, os pontos estouraram e começou a vazar sangue.
Ela é internada as pressas, o bebê fica em casa, aos cuidados de sua avó, que infelizmente é alcoólatra e faz tratamento psiquiátrico, por ser muito nervosa.
Quando fiquei sabendo fui imediatamente a casa dela, a avó tinha chamado uma moça da vizinhança para amamentar a RN, eu desaprovo totalmente, a final quem poderia me garantir a saúde da moça!
Logo comprei um leite específico, e começou o problema! Como eu iria dar o leite sem usar mamadeira? Ela poderia desistir dos seios se eu facilitasse a amamentação?
Não estudava enfermagem ainda! Minha mãe sempre disse, que tudo que é feito com amor dá certo, então peguei um copo sentei a RN e consegui dar o leite, sem afogá-la.
Depois de levar o bebê para minha casa e cuidar dele, ainda tinha um problema quem iria ficar com a mãe no hospital? Eu????? Ela nem queria falar comigo e isso tudo por causa de um desentendimento bobo, ela me disse horrores, mesmo depois de tudo.
Só poderia ser eu, ela não tinha família, então no outro dia bem cedo eu entrei pela porta do quarto hospitalar com o bebê nos braços, ela quando me viu começou a chorar e disse:
- Mesmo depois de tudo, você veio, eu sempre soube que cuidaria dela pra mim. E tudo que eu disse sobre você?
Eu disse que nada mais importava, que estava ali para cuidar dela e do bebê que nós duas esperamos tanto!
Dei banho na mãe e no bebê, tirei leite dos seios dela enquanto dormia três dias para amamentar o RN, passei dias sem dormir no hospital cuidando delas.
Hoje ela está bem, é mãe de uma bonequinha linda, e se separou do marido.

Minha querida, mesmo estando tão longe não me esqueço de vocês duas!
Até onde uma amizade pode ir?
As minhas vão além do ego, orgulho e individualismo, pois a caridade e o amor são lições que minha mãe ensinou bem e o perdão é a maior dádiva do ser humano.

8 comentários:

Amiga do Cafa disse...

Fiquei emocionada ao ler a história....
O caminho de quem vive para fazer caridade é muitas vezes, cheio de pedras, mas também cheio de luz...
Muita luz sempre no seu caminho.
Ah sim...eu imagino quantas mulheres carentes, desinformadas , que sofrem nas mãos de homem...
E você ainda fala que sou paciente.
Eu ???????
Não sei se teria a força que você tem para ajudar.
É preciso muito desprendimento para a prática da caridade...
Grande beijo, moça !

Blog do Óbvio disse...

Juliana, assim é que a vida tem que ser vivida. Aposto que não há o que pague a satisfação de fazer o que você fez e faz. Carinhoso beijo. Manoel.

Antes Fashion Do Que Nunca disse...

Linda,

Fiquei muito emocionada com esse post,o desapego do ego e o amor transcede tudo mesmo, né?
Parabéns!!
obs:obrigada pelas visitinhas no blog .

Bjos e um ótimo final de semana

Déia disse...

Que orgulho de existir alguem como vc! Que realmente abraça sua profissão, literalmente!
Parabens!
O mundo seria melhor se houvessem mais pessoas como vc!
bj

André Reis disse...

Juliana, parabéns por tão belo post.
Precisamos de seres humanos como você nesse mundo.

Cadinho RoCo disse...

O amor é capaz de muito mais do que pensamos.
Cadinho RoCo

Se o "se" não tivesse ficado só no "se" disse...

Emocionante, simplesmente, vc deve ser uma amiga e tanto....tem selinho pra vc lá no blog.

Helton Henning disse...
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